Stress VS Ansiedade: Como distinguir?

No decorrer da evolução, tornou-se frequente abordar os construtos “stress” e “ansiedade” e, nesse sentido, considera-se pertinente a sua distinção. No presente artigo iremos proceder à sua operacionalização.

Os autores Nesse e Marks, mencionam que o “custo de um falso alarme é menor do que o custo de morrer por ignorar uma ameaça real”. Esta afirmação é corroborada no artigo de Saviola e colaboradores no ano de 2020, ao alegarem que a ansiedade aparece devido ao medo, uma vez que este é considerado o responsável pelo processamento de estímulos que se associam a eventos perigosos do mundo exterior, sendo que até determinado nível este revela-se necessário para a perpetuação da sobrevivência do Homem ao ativar comportamentos adaptativos.

Quando a ansiedade é persistente e se torna excessiva ou perdura para além de períodos desenvolvimentais adequados, passa a denominar-se perturbação de ansiedade podendo despoletar os seguintes sintomas:

1) físicos: aumento da pressão arterial, tremores e aperto no peito;

2) psicológicos: preocupações constantes, irritabilidade, agitação e dificuldade em adormecer

3) comportamentais: evitamento dos estímulos ou da ameaça relativos ao perigo, quer seja por pensar acerca destes ou pela sua presença.

Por sua vez, o stress caracteriza-se por uma reação corporal que prepara o corpo para reagir a um perigo real e imediato, e está normalmente associado a qualquer situação ou evento que surge em momentos de sobrecarga, ou quando não temos controlo sobre os acontecimentos. O impacto do stress tende a desaparecer assim que a causa é resolvida.

Nos dias atuais, o “stress” e “ansiedade” são frequentemente utilizados para nos referirmos às mesmas situações. Não obstante, apesar de poderem causar sintomas semelhantes, apresentam diferenças tais como as registadas na seguinte Tabela:

Apesar dos efeitos negativos que o stress e a ansiedade podem causar, quando os interpretamos como um desafio superável em vez de uma ameaça, o stress psicológico transforma-se em “eustresse”, segundo descrevem os autores, Lazarus e Folkman, como sendo uma reação cognitiva positiva, atuando como uma força motriz que gera entusiasmo, foco e motivação para enfrentar os desafios.

O stress e a ansiedade revelam-se parte do quotidiano. Deste modo, compreender as suas nuances, saber quando são úteis e como geri-los quando se tornam prejudiciais, podem ser o segredo para viver de forma mais equilibrada. Através das ferramentas certas, é possível transformar ambas as reações em aliados.

O Serviço de Psicologia.

Referências Bibliográficas:

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  • Aragão, M., Mascarenhas, T., Costa, J., Corrêa, R., & Brito, L. (2016). Ansiedade, depressão e estresse em mulheres comdor pélvica crónica. Revista de Pesquisa em Saúde, 16(2), 85-89.
  • Lazarus, R. S., & Folkman, S. (1984). Stress, appraisal, and coping. Springer Publishing Company.
  • Lewis, A. (1979). Problems presented by the ambigous word “Anxiety” as used in psychopathology. The Later Papers of Sir Aubrey Lewis. Oxford University Press.  
  • Nesse, R. M., & Marks, I. F. (1994).Fear and fitness: An evolutionary analysis of anxiety disorders.Ethology and Sociobiology, 15(5-6), 247–261. (Autores do “Princípio do Detetor de Fumo”).
  • Saviola, F., Pappaianni, E., Monti, A., Grecucci, A., Jovicich, J., & De Pisapia, N. (2020). Trait and state anxiety are mapped diferently in the human brain. Scientific Reports, 10(1). https://doi.org/10.1038/s41598-020-68008-z
  • Selye, H. (1956).The stress of life. McGraw-Hill.
  • Serviço Nacional de Saúde. (20266). Ansiedade. Acedido em 19 de dezembro de 2023 em https://www.sns24.gov.pt/tema/saude-mental/ansiedade/#
  • Suzigan, M. S., Santos, L. R., Rosa, S. A., Caldas, E. R., Araújo, B. M., & Caixeta, F. C. (2024). Neurobiologia dos transtornos de ansiedade – Neurobiology of anxiety disorders. Brazilian Journal of Health Review, 7(1), 6109-6130. https://doi.org/10.34119/bjhrv7n1-492  

 

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